Tuesday, May 20, 2008

Fanatismo


Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espana, Livro de Sorór Saudade

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Monday, May 19, 2008

A ilha onde vivo

A ilha onde vivo

Esse sítio onde vivo,
É feito de névoas e mágoas.
Onde morro sozinho,
Afogado em minhas águas.

Nessa ilha só minha,
É o local onde sou rei.
É o local onde um dia
Para sempre me tranquei.

Nunca ninguém lá entrou,
Jamais alguém a sonhou.
Esse paraíso perdido
Apenas por mim é compreendido.

Se queres realmente entrar,
A chave de pedra terás de achar,
Meus medos derrotar, para um dia
Ao meu lado poderes reinar.

E nesse dia em muito tempo,
Verei luz a ofuscar.
O céu negro e nuvoado,
Pouco a pouco, aclarar.

E minhas névoas e mágoas
Em flocos de neve irão dormir.
E por todo o meu reino,
A liberdade irá cair.

Sobre um manto branco,
Minha ilha iluminar-se-á
E a eterna esperança
De todas as fontes nascerá.

E o cadiado de pedra
Com luz irá cegar,
E para todo o sempre
Minha escuridão afundar.

E nesse mundo onde seremos reis,
Reis e servos da felicidade,
Juntos iremos viver
E até da morte renascer.

(original Pedro R. C.)
                                            

                                    
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Monday, May 12, 2008

Medo


Medo

Chega o anoitecer,
meu tempo de morrer.
Vejo a luz extinguir,
Toda a vida consumir.

Fecho os olhos ouvindo seus passos,
Ouvindo o seu sussurrar.
Vejo a sua sombra,
Sinto o seu respirar.

Sei que o posso destruir
Se abrir os olhos e fingir.
Sei que a dor posso parar
E tudo o resto afogentar.

Mas de que valerá?
De que valerá o medo ignorar
E a dor afogentar
Se amanhã irão regressar?

P’ra me atormentar,
P’ra me assombrar
E mais uma vez
Me tentar aniquilar.

Num suspiro de coragem
Abro os olhos e levanto-me.
Tudo o que há p’ra ver
É tudo aquilo que me faz viver.

(original Pedro R. C.)   
                                                                                                                

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Sunday, May 11, 2008

Estou ao teu lado, mas bem longe de ti


Estou ao teu lado, mas bem longe de ti

Sempre tiveste tudo
Na tua mão.
Mas desperdiçaste!
Era tempo de dizer não.

Sei que não foi
Da melhor forma.
Mas compreende,
Já era hora.

Desculpa, não queria
Que acabasse assim.
Mas tudo o que fizeste,
Foi a pensar em ti.

Como poderei continuar a confiar?
Como poderei voltar a acreditar?
Se tudo o que fizeste
Foi mentir sem pensar.

Sei que te arrependes.
Mas a verdade,
Tu sabes,
É que não aprendes!

Esperavas continuar?
Ficar bem na moldura?
Não vale a pena chorar!
Tu cavaste a tua própria sepultura.

Não me julgues!
Olha p’ra trás, p’rás tuas mãos.
E observa o negro sangue
Que derramaste desta união.

(original Pedro R. C.)  
                                       

                                                
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