Sunday, April 27, 2008

Saudade


Saudade

Saudade é chorar,
Saudade é gritar.
Saudade é nascer
E voltar a morrer.

Elouquece-nos por dentro,
Quebra-nos,
Sem remendo.
Desfaz-nos.

Uma lágrima corre,
Corre através da face.
Uma gota de sangue escorre,
Escorre através do peito.

E desde que foste,
Minha alma não sossega.
Chora e chama por ti,
Alma cega…

Saudade é chorar,
Saudade é gritar.
Saudade é cair
Para mais tarde levantar.

(original Pedro R. C.)                    
                                                                               

Posted by Sweet Killer at 12:21:34 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, April 26, 2008

Felicidade é um suspirar, Nunca o respirar


Felicidade é um suspirar, Nunca o respirar

Vai e vem
Como um suspirar.
A alguns profundo,
a outros sem conta dar.

Todos incansávelmente
Desejamos para sempre a ter,
Mas na realidade,
Como é feliz ser?

Naquele momento pensei sabê-lo,
Achei que o seria para toda a eternidade,
Mas mais tarde percebi,
Aquele momento, era a felicidade.

Podemos senti-la,
Mas nunca guardá-la,
Pois mesmo não querendo
Acabaremos por libertá-la.

Com a esperança de um dia
A voltar a encontrar,
Mas sabendo à partida
Nunca para sempre, a poder olhar.

Não tentes encontrá-la,
Não tentes tocá-la,
Pois a felicidade eterna é algo
Que nunca poderás alcançar.

Porque ela é um momento,
Apenas, e nada mais
Que um único suspirar.
Nunca o respirar.


(original Pedro R. C.)                        
                                             

                                                                                                  
Posted by Sweet Killer at 16:00:51 | Permalink | Comments (1) »

Friday, April 25, 2008

Sweet Killer (Doce assassíno)


Sweet Killer (Doce assassíno)

Sou um doce assassíno,
Sacrifício do meu ser.
Sou apenas um suicídio
Sem outra forma de viver.

Um simples ser
Que aproveita a sua dor,
Guardada nas memórias,
Nas memórias de um amor.

Esfaqueio-me e bombardeio-me
Com todos esses momentos,
Momentos já passados,
Já por ventos levados.

Sou apenas um sacrifício
Sem outra forma de viver,
Apenas um doce assassíno
Que usa momentos p’ra escrever.

(original Pedro R. C.)
                                                            

                                                                             
Posted by Sweet Killer at 11:02:06 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, April 24, 2008

Mentiras


Mentiras

Mentiras nascem,
Mentiras doem,
Mentiras vivem,
Mas sempre morrem.

Separam e destroem,
Sem permitir que as olhem.
E já no final,
Nada volta a ser igual.

Apoderam-se de um corpo,
De um corpo frágil e inseguro.
E apenas ele será capaz
De sozinho derrubar esse muro.

Ninguém a conseguirá mudar,
Ninguém a conseguirá evitar.
Nenhum outro corpo, alguma vez
A poderá matar.

Pois apenas o ser
Que a fez soltar,
Poderá um dia
A mentira enterrar.

(original Pedro R. C.)    
                                                                                                                        

                                                                                           
Posted by Sweet Killer at 20:37:07 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, April 23, 2008

Só mereces a morte


Só mereces a morte

Que é que queres?
Não passas de uma cabra.
Pensas que mandas,
Mas não és nada!

Julgas, criticas,
Troças e gritas.
Porra!
Cala-te de uma vez!

Então e se fingir,
Fingir que sou coitadinho,
Um santinho!
Também me irás encobrir?

Espero que morras esta noite
Sufocada em teus cabelos,
Que arrebentes por dentro
Torturada por meus pensamentos!

Com teus olhos espetados
Nos alfinetes mais afiados.
Com teu peito destroçado
Sem sobrar um único bocado!

A noite chegou,
Acabou a tua sorte.
Por tudo o que és,
Só mereces a morte!

A morte na sua forma
Mais horrenda e árdua.
Sem uma gota de pena,
Sem uma gota de piedade!

(original Pedro R. C.)
    

                                                                        
Posted by Sweet Killer at 21:40:07 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, April 22, 2008

Na teia da morte


Na teia da morte

Vejo meus dedos, pálidos,
Sinto-os esfriar,
Segundo, a segundo,
Minha vida a escassear.

Quero-me levantar,
Mas nem tento.
Tudo em mim
Está parado no tempo…

…e está suspenso
No espaço,
Como um indefeso insecto
Na teia de uma aranha,

Que espera
                  irremediávelmente,
                                                a morte.

Tento respirar,
Mas já é tarde.
Tudo o que podia evitar,
Já há muito arde.

Oiço a tua voz,
Será que morri?
Sinto os teus lábios,
Sei que morri.

(original Pedro R. C.)                           
                                                                                                                             

Posted by Sweet Killer at 21:33:05 | Permalink | Comments (1) »

Monday, April 21, 2008

Palavras doem, Mas são eternas


Palavras doem, Mas são eternas

Quando penso em ti
E no que passámos,
Penso para mim:
Será que fiz algo de errado?

Amei-te como a ninguém,
Amei-te como nunca amarei.
O que se passou?
Porque tudo me abandonou?

Quero chorar,
Mas não consigo.
Mas p’ra que servem lágrimas
Ao lado de páginas?

Lágrimas secam,
Lágrimas morrem.
Palavras doem,
Mas são eternas.

Sempre foste meu sacrifício…
                     …Agora és meu suicídio

(original Pedro R. C.)     
                                                                                                

Posted by Sweet Killer at 21:12:37 | Permalink | Comments (1) »

Sunday, April 20, 2008

e vocês voltam a perdoar…


e vocês voltam a perdoar…

Depois de tudo,
Acabado tudo,
Vocês continuam a me apoiar
Sem criticar, sem hesitar.

Magou-o-vos
E volto a magoar,
Tudo sem pensar.

Quando olho atrás,
Vejo-vos chorar,
Oiço-vos gritar.

Por vezes
Hesito em ficar,
Será que mereço continuar?

Vocês dizem-me
Continuar a amar
Mas será que mereço ao vosso lado respirar?

Magou-o-vos
E volto a magoar,
Tudo sem pensar…

                 …e vocês voltam a perdoar…

(original Pedro R. C.)
                                                                       

Posted by Sweet Killer at 11:22:41 | Permalink | Comments (2)

Não quero rosas, desde que haja rosas


Não quero rosas, desde que haja rosas

Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir. Para quê?…
Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria…
Ah, com que esmola a aquecerei?…


Fernando Pessoa 7 de janeiro de 1935.

Posted by Sweet Killer at 11:12:01 | Permalink | No Comments »

Saturday, April 19, 2008

Tudo o que nunca soubeste


Tudo o que nunca soubeste:

Eu fiz tudo por ti,
Eu mudei tudo p’ra ti.
Fui tudo o que tu foste
Tudo o que nunca fui.

Confiei-te o meu respirar,
Dei-te tudo o que havia para dar
E desisti de tudo, de todos,
só para te poder olhar!

Como pude aceitar ser tão manipulado?!
Como pude afundar tão fundo?!
Agora estou perdido, sozinho,
Apenas a solidão ainda ao meu lado.

Sempre foste a minha rainha,
Mas nunca fui teu rei.
Nunca foste completamente minha,
Mas mesmo assim… Continuei!

Agora morro,
Afogado nos teus olhos,
Sufocado nos teus cabelos.
Junto a todos os meus medos.

                    Sei que te amo…
                                 …Mas confesso que te odeio…!
(original Pedro R. C.)
                                   

Posted by Sweet Killer at 21:24:09 | Permalink | Comments (1) »