
Quando os beijos viram cinzas…
Os dias vão passando,
E cada vez é mais difícil
Relembrar o teu rosto
E os teus lábios de vinil…
…Lábios que em tempos
Me cantaram levemente,
Lábios que recordo
Hoje e eternamente…
Teus olhos, antes das mais valiosas safiras
Não valem mais que cinzas
Que vagueiam ainda quentes
E se perdem dentro de mim…
Teus longos e finos cabelos
Que há muito me sufocavam,
Não passam agora de negras penas
Que anjos nevados largaram.
Tuas doces palavras
Que me cegaram como a uma cão
Hoje são apenas um eco
Que se extingue sem sucessão.
Todas as memórias
Que ainda ontem torturavam,
Morrem aqui sufocadas
No seu próprio leito de mágoas.
E toda a tua alma
Já jazida e queimada,
Quebra-se e rasga-se
Sem uma lágrima derramada.
(origin Pedro R. C.)














