Sunday, August 10, 2008


Quando os beijos viram cinzas…

Os dias vão passando,
E cada vez é mais difícil
Relembrar o teu rosto
E os teus lábios de vinil…

…Lábios que em tempos
Me cantaram levemente,
Lábios que recordo
Hoje e eternamente…

Teus olhos, antes das mais valiosas safiras
Não valem mais que cinzas
Que vagueiam ainda quentes
E se perdem dentro de mim…

Teus longos e finos cabelos
Que há muito me sufocavam,
Não passam agora de negras penas
Que anjos nevados largaram.

Tuas doces palavras
Que me cegaram como a uma cão
Hoje são apenas um eco
Que se extingue sem sucessão.

Todas as memórias
Que ainda ontem torturavam,
Morrem aqui sufocadas
No seu próprio leito de mágoas.

E toda a tua alma
Já jazida e queimada,
Quebra-se e rasga-se
Sem uma lágrima derramada.

(origin Pedro R. C.)                                            
                                                                                                                                 

                                                                 


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Friday, July 11, 2008

Leal Solidão…


Leal Solidão…

Todos partiram,
Todos morreram.
Por este deserto apodrecido,
Mais uma vez caminho perdido.

E cada vez que todos partem
Eu penso estar de novo sozinho,
Mas olho para o lado
E vejo-me contigo.

Por mais que me esconda,
Acabas sempre por me encontrar.
Por mais que fuga…
…Acabas sempre por voltar…

E tu persegues-me
Em cada passo,
E vais consumindo
Mais um pedaço.

É verdade que és, a única
Lealdade na minha vida.
Mas continuas a ser, toda
A tortura que me domina.

Porque não me rasgas
Desse livro que lês?!
Porque não posso ser feliz
Apenas uma vez?…

Eu sei o que escondes
Por baixo dessa máscara!
Não é vida, nem é sorte,
É simplesmente… morte…

E se tiver de morrer
Para finalmente te matar,
Então irei sangrar, irei sofrer,
E para sempre me sacrificar.

Não há como mudar,
Não há como evitar.
Pois a única solução,
É a eterna perdição…

(original Pedro R. C.)                                                   

                                                                 
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Thursday, June 19, 2008

Tudo foi uma ilusão…


Tudo foi uma ilusão…

Todos dizem que partiste,
Que eu sou demente.
Mas não é verdade!
Todos mentem amargamente…

Eles não acreditam
Que ainda aqui estás.
Mas para mim,
Sempre estarás.

Eles querem separar-nos,
Mas não te preocupes.
Eu não deixarei,
Não o permitirei.

Eles não percebem
Que é este o meu fim.
Eles não te ouvem a cantar dentro de mim:

“Destranca o teu coração,
Eu estou aqui contigo.
Esquece esta vida
E vem comigo…

Vem, atravessa essa porta
Que separa a vida da morte.
Vem e eu cá estarei.
Apartir de agora, guiar-te-ei…”

Todos disseram que partiste,
Que eu era demente.
E hoje sei que tinham razão…
…tudo foi uma ilusão…

                            …uma grande ilusão…

(original Pedro R. C.)
                                                                                                                       

                                                     
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Sunday, June 15, 2008

Continuo à espera…


Continuo à espera…

Por ti, 50 mil noites esperei,
Por ti, 50 mil lágrimas chorei.
E por ti vou esperar, vou chorar
Até te ver regressar.

Morrerei aqui, à espera,
Pois sei que não voltarás.
Viverei, para sempre, à espera
De que o destino nos juntará.

Tudo pelo qual eu vivo, és tu,
É a esperança de te encontrar.
Tudo pelo qual eu morro, és tu,
É a ceteza de ainda te amar.

Por ti, 100 mil noites esperei,
Por ti, 100 mil lágrimas chorei.
E hoje, aqui deitado,
Ainda choro, ainda espero.

Eu sei que não consigo
Obrigar-te a amar,
Mas podias ao menos fingir,
Fazer-me acreditar…

                        …Eu faria qualquer coisa por ti…

(original Pedro R. C.)
                                                                                                       

                                                    

                                                                 

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Tuesday, May 20, 2008

Fanatismo


Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espana, Livro de Sorór Saudade

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Monday, May 19, 2008

A ilha onde vivo

A ilha onde vivo

Esse sítio onde vivo,
É feito de névoas e mágoas.
Onde morro sozinho,
Afogado em minhas águas.

Nessa ilha só minha,
É o local onde sou rei.
É o local onde um dia
Para sempre me tranquei.

Nunca ninguém lá entrou,
Jamais alguém a sonhou.
Esse paraíso perdido
Apenas por mim é compreendido.

Se queres realmente entrar,
A chave de pedra terás de achar,
Meus medos derrotar, para um dia
Ao meu lado poderes reinar.

E nesse dia em muito tempo,
Verei luz a ofuscar.
O céu negro e nuvoado,
Pouco a pouco, aclarar.

E minhas névoas e mágoas
Em flocos de neve irão dormir.
E por todo o meu reino,
A liberdade irá cair.

Sobre um manto branco,
Minha ilha iluminar-se-á
E a eterna esperança
De todas as fontes nascerá.

E o cadiado de pedra
Com luz irá cegar,
E para todo o sempre
Minha escuridão afundar.

E nesse mundo onde seremos reis,
Reis e servos da felicidade,
Juntos iremos viver
E até da morte renascer.

(original Pedro R. C.)
                                            

                                    
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Monday, May 12, 2008

Medo


Medo

Chega o anoitecer,
meu tempo de morrer.
Vejo a luz extinguir,
Toda a vida consumir.

Fecho os olhos ouvindo seus passos,
Ouvindo o seu sussurrar.
Vejo a sua sombra,
Sinto o seu respirar.

Sei que o posso destruir
Se abrir os olhos e fingir.
Sei que a dor posso parar
E tudo o resto afogentar.

Mas de que valerá?
De que valerá o medo ignorar
E a dor afogentar
Se amanhã irão regressar?

P’ra me atormentar,
P’ra me assombrar
E mais uma vez
Me tentar aniquilar.

Num suspiro de coragem
Abro os olhos e levanto-me.
Tudo o que há p’ra ver
É tudo aquilo que me faz viver.

(original Pedro R. C.)   
                                                                                                                

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Sunday, May 11, 2008

Estou ao teu lado, mas bem longe de ti


Estou ao teu lado, mas bem longe de ti

Sempre tiveste tudo
Na tua mão.
Mas desperdiçaste!
Era tempo de dizer não.

Sei que não foi
Da melhor forma.
Mas compreende,
Já era hora.

Desculpa, não queria
Que acabasse assim.
Mas tudo o que fizeste,
Foi a pensar em ti.

Como poderei continuar a confiar?
Como poderei voltar a acreditar?
Se tudo o que fizeste
Foi mentir sem pensar.

Sei que te arrependes.
Mas a verdade,
Tu sabes,
É que não aprendes!

Esperavas continuar?
Ficar bem na moldura?
Não vale a pena chorar!
Tu cavaste a tua própria sepultura.

Não me julgues!
Olha p’ra trás, p’rás tuas mãos.
E observa o negro sangue
Que derramaste desta união.

(original Pedro R. C.)  
                                       

                                                
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Sunday, April 27, 2008

Saudade


Saudade

Saudade é chorar,
Saudade é gritar.
Saudade é nascer
E voltar a morrer.

Elouquece-nos por dentro,
Quebra-nos,
Sem remendo.
Desfaz-nos.

Uma lágrima corre,
Corre através da face.
Uma gota de sangue escorre,
Escorre através do peito.

E desde que foste,
Minha alma não sossega.
Chora e chama por ti,
Alma cega…

Saudade é chorar,
Saudade é gritar.
Saudade é cair
Para mais tarde levantar.

(original Pedro R. C.)                    
                                                                               

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Saturday, April 26, 2008

Felicidade é um suspirar, Nunca o respirar


Felicidade é um suspirar, Nunca o respirar

Vai e vem
Como um suspirar.
A alguns profundo,
a outros sem conta dar.

Todos incansávelmente
Desejamos para sempre a ter,
Mas na realidade,
Como é feliz ser?

Naquele momento pensei sabê-lo,
Achei que o seria para toda a eternidade,
Mas mais tarde percebi,
Aquele momento, era a felicidade.

Podemos senti-la,
Mas nunca guardá-la,
Pois mesmo não querendo
Acabaremos por libertá-la.

Com a esperança de um dia
A voltar a encontrar,
Mas sabendo à partida
Nunca para sempre, a poder olhar.

Não tentes encontrá-la,
Não tentes tocá-la,
Pois a felicidade eterna é algo
Que nunca poderás alcançar.

Porque ela é um momento,
Apenas, e nada mais
Que um único suspirar.
Nunca o respirar.


(original Pedro R. C.)                        
                                             

                                                                                                  
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